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Fotografia: @marcoshermes

Alguém lembra de Theodore Kaczynski? O terrorista e matemático americano, um gênio do mal preso nos anos 1990 e trancafiado até hoje? O pseudônimo do terrorista, Unabomber, serviu como ideia para um grupo de músicos da Baixada Fluminense, nos mesmos anos 1990, darem o nome à sua banda de rock. 

 

Enquanto integravam outros grupos, os rapazes se reuniam no fim de semana para tocar e compor. O batera Paulo Stocco (PC, figurinha fácil e querida no underground carioca, de bandas como Jason, Mandril e Perdidos na Selva) e os irmãos Sandro Luz (guitarra) e André Luz (vocais) convidaram o baixista Alan Vieira. Após alguns shows, resolveram recrutar mais um guitarrista e Jeff Barata se prontificou de imediato a assumir a posição. *

Em 1994, PC, André e Sandro criaram a pequena e bem estruturada casa de shows, o Canil Pub, também na Baixada. As bandas mais significativas do chamado underground carioca dos anos 1990 e de outros cantos do Brasil e até da Argentina tocaram por lá, como Second Come, Planet Hemp, Piu Piu e sua Banda, Gangrena Gasosa, Dementia e tantas outras. Apesar do sucesso, resolveram encerrar as atividades do Canil Pub naquele mesmo ano.

A partir de 1995, a banda iniciou uma reformulação no som e nas composições. Foi quando o Unabomber gravou sua primeira demo, com produção própria. A repercussão foi forte, com resenhas em todas as revistas especializadas e zines. A imprensa roqueira na internet ainda engatinhava. O segundo tape foi gravado em agosto de 1997, com a produção do então iniciante Rafael Ramos (hoje um nome de peso da indústria da música no Brasil, sócio da gravadora Deck). O material foi lançado oficialmente em janeiro de 1998, novamente com bom eco na imprensa, que destacava a originalidade do som. *

Os músicos da Unabomber foram classificados para as três edições do Festival Skol Rock, entre os anos de 1996 e 1998, e obtiveram o 2º lugar na etapa Rio, em 1997. No período, abriram shows de bandas como Titãs, Raimundos, Charlie Brown Jr., Paralamas do Sucesso, Lemonheads e outras, em casas como Imperator, Metropolitan e Mistura Fina, no Rio, e Ginásio Álvares Cabral, em Vitória (ES).

Mostraram a cara em programas de rádio e TV, como o "Ultrassom", da MTV, e "Caderno Teen", da TVE. As músicas “Sociedade Aberta e seus Inimigos” e “Só Hoje” foram executadas em emissoras como a Cidade FM (Rio) e Brasil 2000 FM (São Paulo). *

Em 1999, apresentaram-se algumas vezes na capital paulista pelo Festival Lollapalooza Playcenter. Unabomber foi a única banda fora do estado de São Paulo classificada para gravar uma faixa no Be Bop Studio para a coletânea oficial do festival, com outras 12 bandas como o Nitrominds e o End of Dread. No mesmo ano, Unabomber encerrou as atividades. O batera PC foi o único que seguiu na música. *

Em 1º de maio de 2017, Unabomber voltou com a energia que o rock precisa e já nos deu de presente o EP "Massas & Manobras S/A", formado por releituras de algumas composições lançadas nas demo-tapes "Unabomber" (1996) e "R" (1997), a última com produção do então iniciante Rafael Ramos. Já o EP contou com produção musical de Celo Oliveira, além de projeto visual do fotógrafo Marcos Hermes.

Paulo, Sandro, André, Alan e Jeff voltaram para fazer barulho. No reencontro surgiu o desejo de dizer algo mais. Foi assim que, em meio ao xadrez sociopolítico vivido no presente, a banda compôs e gravou "Silêncio", produzida por Celo Oliveira e lançada como single no final de 2017. Jeff, o segundo guitarrista, deixa a banda pouco após esse single. 

Primeira inédita após o retorno e concebida no calor dos escândalos políticos, a composição expressa uma espécie de catarse da banda relacionada ao momento atual do Brasil. “Talvez a música seja uma forma de preservar a sanidade e continuar mantendo a esperança em um país melhor, além de estímulo à reflexão das pessoas, no sentido da percepção quanto ao perigo da resignação paralisante”, dizem os artistas.


Depois, veio “Pesadelo”, composta por Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, gravada originalmente pelo MPB4 em 1972 (ainda sob o peso da ditadura militar). A letra é atual e passeia por velhas preocupações ressurgidas e a necessidade de novas perspectivas, em meio a maior polarização política, social e ideológica jamais vista no país. O single foi mais um trabalho com a mão do produtor Celo Oliveira.

* Por BERNARDO ARAÚJO (SEGUNDO CADERNO/O GLOBO)

INTEGRANTES

ANDRÉ LUZ

Vocal

PAULO STOCCO

ALAN VIEIRA

Baixo

LINHA DO TEMPO

Classificam-se outra vez para o Skol Rock, em sua segunda edição. Desta vez, a apresentação foi no palco do Imperator, casa tradicional do Méier, subúrbio carioca. Já a atração que fechava o festival era a banda Lemonheads (EUA). Nesta edição, o grupo ficou em segundo lugar na etapa Rio, com a música “Do Útero ao Túmulo”, o que rendeu a participação em diversos eventos. Receberam comentários muito elogiosos do crítico musical Fábio “Reverendo” Massari, após entrevista para a MTV Brasil.

Lançamento da primeira demo-tape do Unabomber.  Gravada em abril daquele mesmo ano no Overdrive Studio, localizado no bairro carioca de Copacabana, contou com produção da própria banda. A fita trazia cinco músicas, dentre as quais “Sociedade Aberta e Seus Inimigos”, veiculada na Rádio Cidade FM (Rio) e muito executada em diversas rádios comunitárias. Com essa demo-tape homônima, obtiveram as melhores críticas em revistas, jornais e zines do Brasil e da Argentina.

Primeira participação da banda no Festival Skol Rock, de âmbito nacional, cuja etapa RJ/ES ocorreu no Ginásio Álvaro Cabral, em Vitória - ES. A música que concorria era “Sociedade Aberta e Seus Inimigos”. Na ocasião, o quinteto realizou a sua apresentação de 20 min para um público estimado em mais de quatro mil pessoas, imediatamente antes da atração headline, os Titãs. 

Lançada em janeiro a segunda demo-tape, com produção a cargo do então iniciante Rafael Ramos (Deck Discos), gravada e mixada no Estúdio Impressão Digital. Assim como o primeiro registro, essa segunda demo intitulada “R” obteve excelentes resenhas nas revistas especializadas do país, sempre destacando a originalidade do som da banda. A música “Só Hoje” chegou a ser veiculada em programas de rádios rock de São Paulo.

Ano que marca a retomada do Unabomber, com a regravação de seis músicas do repertório da primeira fase da banda. Gravado, mixado e masterizado no Kólera Studio, com produção de Celo Oliveira, o EP Massas & Manobras S/A, foi lançado, à priori, em meio digital. O renomado fotógrafo Marcos Hermes, que também é músico, assumiu a direção artística do projeto.

Ainda neste ano a Banda lança a primeira inédita após o retorno que se chamou "Silêncio".  O single foi lançado no calor do processo do Golpe Parlamentar ocorrido do país. O single também foi gravado, mixado e masterizado no Kólera Studio, com produção de Celo Oliveira . 

Voltam a se reunir para os primeiros ensaios de um ainda embrionário projeto que visava, inicialmente, regravar algumas músicas das duas demos lançadas pela banda nos anos 1990. O objetivo, nessa fase, era o de registrar de forma mais fiel o peso e a intensidade que a banda atingiu antes da dissolução, acrescentando a experiência e maturidade acumulada nestes anos, e usando as novas tecnologias e equipamentos ao alcance, na atualidade.

Convidados a participar da Coletânea Apocalipse 2000 (Tamborete Entertainment), gravaram a faixa “Ora et Labora”, produzida pelo guitarrista John Cássio e co-produzida por Rico Marcin. Encerraram as atividades naquele mesmo ano.

Participação na Coletânea Lollapalooza Playcenter Festival, com a música “Só Hoje”, gravada no Be Bop Studio (São Paulo). Única banda não paulista classificada para participar da coletânea oficial do festival.

Terceira participação no Festival Skol Rock. Naquele ano, subiram ao palco da maior casa de show da época, o Metropolitan. Fechando o evento, nada menos que Charlie Brown Jr., Paralamas do Sucesso e Raimundos. As quase oito mil pessoas presentes receberam efusivamente a música “Lado B”, que concorria no festival.

Participação no Programa UltraSom, da MTV, apresentando ao vivo duas músicas - “Câmara de Hoffman” (da demotape “R”), e a versão peculiar de “Mosca na Sopa” (Raul Seixas/Paulo Coelho). O convidado do programa, o vocalista Chorão, do Charlie Brown Jr., rasgou elogios, chegando a dizer que ficou “sem palavras”, destacando os arranjos, o peso, a contundência e a originalidade, tanto na música autoral quanto na versão apresentada. Depois do programa, convidou a galera da banda pra uns chopes na padaria da esquina.

Em 2018 teve a primeira versão gravada pela banda. A música escolhida foi "Pesadelo", composição de Paulo Cesar Pinheiro e Maurício Tapajos, que originalmente foi lançada pelo MPB4 em 1972 (ainda sob o peso da ditadura militar). A letra é atual e passeia por velhas preocupações ressurgidas e a necessidade de novas perspectivas, em meio a maior polarização política, social e ideológica jamais vista no país. O single foi mais um trabalho com a mão do produtor Celo Oliveira.

Jeff, o segundo guitarrista, deixa a banda pouco após esse single. 

O ano começa agitado com o lançamento em janeiro do novo EP "O Mal da Máquina Morre", com inéditas e trazendo os singles Silêncio e Pesadelo.  O EP contou com as participações especiais de Guilherme Salgueiro nos tamborins e Celo de Oliveira que dessa , além de produzir o EP, tocou guitarra na faixa "Guanabara".  A música "A Celebração da Peleja entre o Molotov e a Máquina" foi composta em parceria com Ayam Ubräis Barco, artista baiano brother da banda.